8 dias de mulheres, 8 dias de arte
- Hora Incerta
- 8 de mar. de 2021
- 12 min de leitura

O Hora:Incerta pauta-se por uma ideologia feminista, como tal ao longo dos primeiros 8 dias de março até ao presente dia 8, dia internacional da Mulher, decidimos dar voz a mulheres colocando-as em destaque nas nossas plataformas, para que cada dia se tornasse um dia de luta e para que este dia seja apenas mais um no culminar da luta diária e permanente. Enaltecemos 8 magníficas mulheres artistas, não em jeito de um simples aplauso à sua condição feminina, mas em jeito de gratificação ao legado representativo que todas elas nos deixam através da sua arte, pelas múltiplas formas de se ser mulher que nos apresentam, pelos seus percursos e ideologias, pela forma como nos põe diante das infinitas possibilidades desta condição, desconstruído padrões, num grito subtil para o futuro que nos alerta para o que ainda há por mudar.
Sorve então, a compilação de ideias e informações sobre artistas de múltiplas áreas que preparamos para ti.
Helena Almeida, artista plástica portuguesa (1934 - 2018)
Com uma enorme ânsia de habitar a arte, nela viver e sê-la, Helena Almeida desafia as noções de espaço físico e expande as limitações do suporte material da tela. A fotografia capta o seu corpo, o corpo funde-se com a tela e, assim, aquilo que é Helena e aquilo que é a sua obra deixa de ser claro.
Helena é a artista que mastiga o azul. É um ato de manifesto. Esta cor, que está tão presente nos seus trabalhos, pode ser acolhida sobre vários olhares, mas é consumida em tom de crítica. Remete-nos para as performances bastante questionáveis de Yves Klein em que os corpos nus de várias mulheres eram pintados do azul patenteado pelo autor, para depois serem impressos sobre a tela.
Como seria de esperar de uma artista que se queria fundir completamente com aquilo que fazia, vários foram os momentos em que a sua identidade artística se encontrou com a sua condição feminina. “Seduzir” foi um desses momentos. Helena nesta sequência de fotos coloca-se em posições desengonçadas para satirizar o retrato convencional da mulher sedutora. A sua postura é capaz de causar riso e de nos fazer questionar sobre a relação tradicional entre artista (fotógrafo ou pintor) e modelo.
“Tudo estava em tudo e eu compreendia isso, que era global. Que tudo estava em tudo, que a tela estava totalmente em mim da mesma forma que eu estava completamente na tela.”- Helena Almeida
Djaimilia Pereira de Almeida, escritora portuguesa (1982)
Djaimilia Pereira de Almeida é uma escritora portuguesa. Nasceu em Angola e cresceu nos arredores de Lisboa.
O seu primeiro livro, Esse Cabelo (2015) fez a autora ser apresentada por muitos como representante de uma literatura acerca de raça, feminismo, género e identidade. Questionando-se se “falar de cabelos é sempre uma futilidade”, Djaimilia conta a história de uma menina, Mila, que aterra despenteada aos 3 anos em Lisboa, vinda de Luanda. Como se lê na sinopse do livro, ao acompanharmos as aventuras deste cabelo crespo – curto, comprido, amado, odiado, tantas vezes esquecido ou confundido com o abismo mental –, acompanhamos também a história indireta da relação entre vários continentes que inequivocamente assistimos. Assim, usando o cabelo de Mila como uma metáfora, Djaimilia questiona a sua identidade entre Angola e Portugal.
Mais recentemente, em 2018, publica Luanda, Lisboa, Paraíso com o qual foi bastante prestigiada. Contando a história de Cartola e do seu filho, Aquiles e das suas aventuras aquando da sua chegada a Lisboa vindos de Luanda, também Luanda, Lisboa, Paraíso mergulha sobre questões de imigrantes em Portugal, mas vai muito além disso.
Em entrevista ao Público[1], a autora afirma que apesar de saber que está a contribuir para uma conversa política e social e que é importante começar a ouvir histórias de pessoas de várias periferias, reconhece, também, que quando escreve não está a pensar nisso. “Quando se fala de escritores com um percurso como o meu às tantas já não se está a falar de literatura. Já só se está a falar de todo esse lado, social, político... Acho importante nunca perder de vista também o aspeto literário”. “O contributo social e político é tão mais forte e perene quanto se misturar com esta conversa: essa conversa antiga, a conversa do que se passa nos livros.”
“Os livros preservam o sentido da discussão e mantêm entre si uma discussão própria, que nos ultrapassa, que se prolonga para lá de nós e para lá do momento que estamos a viver”- Djaimilia Pereira de Almeida
Nina Simone, compositora e cantora estado-unidense (1933 - 2003)
Nascida nos anos 30, num momento particularmente conflituoso e controverso dos EUA, Eunice Kathleen Waymon, ou Nina Simone, como é conhecido pelo seu nome de palco, era uma rapariga com ambições gigantescas para os tempos em que vivia. Sonhava ser a primeira pianista clássica negra. E o seu estrato social ou raça não ocultou o seu talento absurdo para o instrumento. Mas Nina, mais do que pianista, estava absolutamente comprometida em mudar o mundo à sua volta. E, foi com apenas 11 anos de idade, durante o seu primeiro recital, que revelou uma clara predisposição para o respeito dos direitos humanos ao solicitar que os seus pais fossem deslocados da última fila da sala de espetáculos para mais perto do palco, pois recusava-se a tocar sem os ver. Contrariava, assim, os costumes racistas da época que forçavam os negros a sentar-se somente nos últimos assentos.
Mas o seu papel de ativista não se ficou por um pedido quase que inocente durante a sua infância, pois o simples facto de ter vingado no mundo da música, mesmo sendo uma mulher e negra pressupôs o fim de um estereótipo criado pela própria imprensa de que cantoras negras, como Billie Holliday ou Bessie Smith, estavam negativamente associadas a inúmeros vícios. Nina provocou rupturas. Pois nunca antes se havia testemunhado uma mulher negra que combinasse o canto com a genialidade que possuía enquanto instrumentista.
O pioneirismo de Nina Simone trespassa as influências no campo da cultura, antecipando, desse modo, temáticas que vão nortear discussões dentro de movimentos políticos como o Black Power e o Feminismo Negro. Quanto ao primeiro, começa a tecer críticas ao posicionamento de não violência e de integração racial, como proposto pelo Movimento dos Direitos Civis e vai defender ideias mais radicais quanto ao conflito racial dentro dos EUA. No que toca ao segundo, Nina adotou uma postura fundamental pois a primeira onda do movimento feminista de 1920, era totalmente dominada por mulheres brancas das classes média e alta, excluindo assim um fundamental parcela social que englobava todas as raças e classes sociais. Então, com músicas como Pirate Jenny ou Go Limp aborda uma realidade maioritariamente desconhecida no mundo da música até então: a realidade da mulher negra.
“Although Lorraine was a girlfriend. . . we never talked about men or clothes or other such inconsequential things when we got together. It was always Marx, Lenin and revolution—real girls’ talk. . . Lorraine was most definitely an intellectual, and saw civil rights as only one part of the wider racial and class struggle. . . Lorraine started off my political education, and through her I started thinking about myself as a black person in a country run by white people and a woman in a world run by men.”- Nina Simone
Teresa Villaverde - realizadora, argumentista e produtora portuguesa (1966)
Cineasta que não se finda na condição de o ser, Teresa Villaverde é artista pela forma como transforma cada filme numa obra holística e sagrada, onde cada plano é pincelado por um imaginário visual que mescla e habita múltiplas artes. Autora de uma filmografia singular, conta já com um vasto leque de distinções a nível internacional em Festivais como o de Veneza (“Três Irmãos”,1994) e Cannes (“Os Mutantes”,1998), sendo considerada um dos nomes mais importantes da geração de realizadores portugueses que surgiram na década de 90.
Pensa a [2]“vida como um fio” e a frase “quando era criança” causa-lhe estranheza. Para a cineasta a vida é uma fusão de tempos e não um isolamento de fases. Acredita que somos sempre os mesmos e que apenas nos vamos multiplicando sobre a nossa infância. Tal inquietação pauta a sua obra com um especial enfoque para temas como o crescimento, a adolescência, a inadequação e a dificuldade de comunicação interpessoal.
Apesar do brilhantismo do seu legado, o início do seu percurso aos 23 anos é marcado pela rejeição de Portugal ao seu trabalho, a cineasta diz encontrar dois motivos para tal: ser jovem e ser mulher, sentindo que tinha de [3]“(…) provar muito mais, trabalhar muito mais” devido a esta condição. Toda a sua obra é um palco de voz ao que no mundo envolvente a toca. Como tal, o feminismo e a definição do nosso olhar sobre as diversas formas de se ser mulher surgem naturalmente. “Transe” (2006) é um perfeito exemplo disto como um filme que nos coloca diante do inferno interno através do corpo de uma jovem mulher que, em busca de uma vida melhor, se vai afogar na degradação do tráfico de pessoas e da escravatura sexual. Gritando pelo olhar atento do espetador, coloca-nos a olhar nos olhos a alma violada de uma mulher nua, despida da própria identidade, num horror sufocante entre a tortura psicológica e a violência contra o próprio corpo, um abismo que não se dissolve nela, mas que é espelho de algo maior. A mulher excluída é nesta obra desenhada num quadro poético em que ela própria é a arte.
[4]“Falo de coisas que me atingem, que me ferem. Atinge-me, obviamente, também o que pode não me acontecer diretamente a mim. Não me sinto a viver numa bolha. Mas há um momento em que tudo se mistura. No Transe, por exemplo, aquela mulher a partir de certa altura era também eu, como tenho a certeza de que a partir de certa altura ela era também a Ana Moreira, a atriz principal do filme. Éramos nós. Talvez às vezes se dê uma fusão, e não sei se se pode programar uma fusão, ela pode acontecer, pode dar-se.”- Teresa Villaverde
Paula Rego, pintora portuguesa (1935)
Se Paula Rego pudesse ser caracterizada por um traço psicológico que a distingue de muitos outros artistas esse seria, claramente: a coragem de representar as coisas tal como são. A pintora mudou-se para Londres quando era ainda nova. Contudo, não há nada na sua extensa obra que não grite a intensidade do povo portugês extremamente grotesco. Mas Paula Rego, no meio de tantas verdades que encontramos sobre o nosso país e identidade nas suas obras, optou sempre por uma mais dolorosa, e, talvez por isso, mais fundamental: a verdade das mulheres.
Desse modo, a artista portuguesa usou o seu prestígio para dar voz a movimentos e intervenções feministas, de um modo significativamente público e claramente político. Um desses exemplos que poderá claramente ser demarcado é a série sobre o aborto, à qual a artista nunca atribuiu título, uma vez que nenhum título poderá nomear o inominável. Nesta série, as mulheres recolhem-se numa solidão, dor e secretismo em jeito de resposta ao facto do parlamento ter chumbado o 1º Referendo em Portugal sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG).
A série confirma a revolta expressa pela própria autora a propósito da criminalização das mulheres por motivo de aborto. É possível encontrar, nestas obras artísticas, a denúncia de uma violência imposta à mulher da época que começava no nascimento e acabava na morte. As figuras de mulheres, deitadas, ajoelhadas, de costas, absortas, mostram que o relacionamento sexual, nada mais é que um impulso vital envolvendo o trauma de um nascimento indesejado, o incómodo da menstruação, ou mesmo o drama do aborto.
“Pinto para dar uma face ao medo” - Paula Rego
Sidonie Gabrielle Colette, escritora francesa (1873-1954)
Sidonie Gabrielle Colette, mais conhecida pelo seu pseudónimo Colette, desafiou os ideais estabelecidos pela sociedade da sua época e, quase como que numa tentativa de sobrevivência, imprimiu nas suas obras o desejo pela liberdade de viver, de acordo com os seus instintos, desejos e sonhos. A sua escrita era baseada numa dimensão realista do universo feminino, dotada de uma sensibilidade sem igual que conferia aos leitores uma experiência de sensações infinitas. Não estabelecia limites à escrita e o seu grande sucesso deveu-se, sobretudo, à verdade. Na transição do século XIX para o século XX tornou-se numa das mulheres mais marcantes da literatura francesa. Sem pudor, abordou questões que transvasavam os horizontes da época e ousou escrever aquilo que muitos temiam sequer pensar.
A sua primeira obra-prima, a série de livros "Claudine'', foi escrita sob influência do seu primeiro marido Willy, que assinou por si a autoria destes livros. Colette não se cingiu ao papel da “esposa submissa” e, num grito de libertação, após divorciar-se do seu primeiro marido, atuou em diversos palcos e chegou mesmo a estar seminua, tendo sido, posteriormente, alvo de inúmeras ofensas à sua integridade física. Também a sua sexualidade foi vivida em plenitude. Envolveu-se com mulheres e nunca teve medo de o assumir publicamente. “La Vagabonde” (1910) retrata a vida da escritora com Willy, as suas performances teatrais e o seu romance com a Madame Missy.
Chéri (1920), um dos seus romances mais conhecidos, coloca em evidência as questões e os prazeres da mulher, numa busca incessante pela desconstrução dos padrões conservadores da época. Nesta obra, Chéri é um jovem que se apaixona por uma mulher mais velha que ele, 24 anos. Em 1926 é publicado o livro “La Fin de Chéri”, onde a força interior feminina contrasta com a fragilidade e declínio da figura masculina. Uma vez mais, esta obra é inspirada no envolvimento da escritora com o filho do seu segundo marido, o seu enteado que contava apenas com 16 anos.
Controversa, como ainda hoje é, fez das suas obras uma autobiografia. Escrevia o que sentia e o que vivia. Desde o seu mais recente livro até ao último, abordou questões do universo feminino como o erotismo e a homossexualidade. Inconscientemente, a coragem e irreverência, características que lhe eram inatas, permitiram a Colette abrir caminho para a emancipação da mulher. Em 1945 viu o seu trabalho ser reconhecido e foi eleita a primeira mulher presidente da tão prestigiada Academia Gouncourt. Em 1954 é a primeira escritora francesa a receber um funeral organizado por parte do Estado. [5][6][7]
“Segue o teu caminho e deita-te nele apenas para morrer.”- Sidonie Gabrielle Colette
Marina Abramovic, performer nascida em Belgrado (1946)
Marina Abramovic é um marco das artes performativas. Nos seus trabalhos desafia os limites do seu corpo e da sua mente com um controle e concentração sobre humanos.
Iniciou a sua carreira na performance artística no início dos anos 70, altura em que, nas suas palavras, os críticos encaravam esta forma de expressão como "ridícula'' e os seus artistas eram acusados de simplesmente “querer atenção”. Após uma das suas performances mais emblemáticas, “Ritmo 0”, os críticos viram-se obrigados a mudar de opinião. Ninguém poderia manter tais posições depois do que se passou no Studio Morra, em Nápoles, no ano de 1974.
Em “Ritmo 0” Marina entregou o seu corpo aos visitantes do Studio Morra. Eram apenas dadas as seguintes instruções: “Há 72 objetos na mesa que podem usar como quiserem. Performance. Eu sou o objeto. Durante seis horas eu responsabilizo-me”. Nenhuma limitação à ação dos presentes foi imposta. Ao alcance do público estavam os mais variados objetos. Perfume, rosas, penas. Lâminas, correntes e uma pistola com apenas uma bala.
Nas primeiras horas o corpo de Marina foi abraçado. Beijaram-na e ofereceram-lhe flores. Os visitantes estavam pacíficos, atenciosos e tímidos. Com o passar do tempo, o lado mais cruel do humano começou a revelar-se. Rasgaram-lhe as roupas. Acorrentaram-na. Cortaram-lhe o corpo com as lâminas. Encostaram os picos das rosas oferecidas contra o seu ventre. Vários foram os homens que a apalparam e tocaram nas suas partes mais íntimas. Uma das facas ao dispor foi colocada entre as suas pernas.
Um dos indivíduos pegou na arma carregada e colocou-a na mão de Marina (o objeto) e pressionou-a contra a sua cabeça. Queria ver se depois de tudo ela seria capaz de premir o gatilho. Outra das pessoas na exposição viu-se obrigada a intervir neste momento e jogou a pistola pela janela. No final das seis horas, quando anunciaram o fim da performance, Marina regressou ao seu corpo, deixou de ser um objeto passivo e começou a andar mutilada em direção aos agressores, alguns fugiram, nenhum a olhou nos olhos.
“Esta performance revela algo terrível sobre a humanidade. Mostra o quão rápido uma pessoa pode aleijar-te sobre circunstâncias favoráveis. Isso mostra o quão fácil é desumanizar uma pessoa que não luta, que não se defende. Isso mostra que se tiver oportunidade, a maioria das pessoas normais pode tornar-se realmente violenta. O importante desta obra é observar o lado selvagem dos humanos quando tudo é permitido, quando uma pessoa se torna um objeto imóvel sem defesa e que pode ser punida sem um motivo. Um indivíduo pode mostrar quem realmente é e as coisas absurdas que é capaz de fazer”- Marina Abramovic
Carina Úbeda, artista plástica chilena
Há muitas coisas sobre as quais as mulheres não falam (ou, esperemos, não falavam). Sexualidade, prazer, atração. Desejo, fluídos, dores. Menopausa e menstruação. A conduta social até aqui parece ter colocado estes temas na gaveta do tabu. Sem conversas e com constrangimentos para as ter, a mulher estabelece desde muito nova uma relação de vergonha e de inibição com o seu próprio corpo.
Carina Ubeda foi abrir a gaveta que guarda esse tabu para libertar as mulheres da opressão que mantêm consigo mesmas. Artista plástica e chilena, exibiu em 1982 “Paños” no Chile. Uma exposição que utilizou como principal material artístico o sangue da menstruação da artista. A ideia foi acolhida com algum choque, apelidaram-na de “nojenta” e muitos não consideram o ciclo menstrual da mulher um tema artístico válido. Embora o corpo nu da mulher tenha sido ao longo da história consensualmente utilizado como um objeto de admiração artística.
A artista recolheu a sua menstruação durante 5 anos e exibiu-a nuns panos bordados com as expressões “Se processa”, “Se domina”. O seu fluxo foi apresentado suspenso à altura do olhar para confrontar o observador. Ela queria explorar as fases de maturidade do seu corpo. E mostrar que a sexualidade feminina é um ciclo que acolhe vários estágios, todos eles naturais ao nosso ser biológico: menstruação e atração, prazer, dor, gravidez, menopausa...
[8]“Muitas pessoas perguntam-me o porquê de eu querer mostrar algo tão íntimo… Para mim, é meramente uma peça de arte feita por mim. Eu vejo-os como coisas separadas.”- Carina Úbeda
Referências Bibliográficas:
[3]https://mulhernocinema.com/entrevistas/teresa-villaverde-ha-cada-vez-menos-tempo-mas-e-sempre-bom-ouvir-historias/
-por Eva Costa, Marta Pereira, Filipa Eleutério, Beatriz Pereira e Salomé Rita, 8 de março de 2021 em Sociedade e Cultura
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