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Irina Boteta e a construção de uma escola comunitária na Guiné

  • Foto do escritor: Hora Incerta
    Hora Incerta
  • 2 de fev. de 2021
  • 12 min de leitura

Atualizado: 8 de fev. de 2021

A construção de uma Escola Comunitária na Guiné- Bissau foi um dos seus mais recentes projetos. Com apenas 30 anos de vida, Irina Boteta já fez voluntariado em Portugal e na Guiné. Já trabalhou com crianças, jovens, adultos e idosos, onde a sua missão foi sempre ajudar.




Esteve na Guiné pela primeira vez em 2013 como voluntária, onde dava aulas a crianças e jovens. Apaixonou-se, desde logo, pela população. Na comunidade guineense, encontrou aquilo que há muito acredita não existir em Portugal, o sentido de união. A comunidade surpreendeu-a pela sua resiliência, coragem e pela vontade de mudar a sua própria realidade.


Desde os problemas na educação até ao acesso à saúde que Irina presenciou, também ela esteve gravemente doente com malária e quando procurou ajuda médica, ficou em choque com o cenário com o qual se deparou. Quando regressou a Portugal, apercebeu-se que o valor que dava às coisas ficava aquém daquilo que seria esperado.


Irina Boteta nasceu em Portugal e foi no escutismo que aprendeu que ajudar faz parte de si. Com apenas 30 anos de vida é licenciada em Animação Socioeducativa e está a terminar o mestrado em Gestão de Educação e Formação. Atualmente vive na Alemanha, onde inicia um novo projeto, o DeCura.



Fizeste parte de projetos como as Mentes Empreendedoras e O POSSO, entre outros. Porquê teres integrado tantos projetos com missões diferentes?

A minha participação em diferentes projetos está diretamente relacionada com os meus valores. Fui escuteira desde muito nova e foi no escutismo que me foram incutidos valores que fazem parte da minha vida, um deles e talvez o mais importante: trabalhar para e em comunidade. Comecei a fazer voluntariado muito cedo e gostei, porque me sentia útil. Era uma experiência que me fazia aprender. Participei em vários projetos, desde ajudar idosos que passavam as épocas festivas sozinhos ou que viviam isolados e cheguei a trabalhar, também, num orfanato como voluntária, onde ajudava crianças órfãs. Mais tarde, a construção do projeto o POSSO teve a ver com a minha participação na Academia de Líderes Ubuntu que, é um programa que, ainda hoje, decorre em Portugal e até noutros países, como a Guiné-Bissau. Foi esta partilha com a comunidade guineense nalguns bairros aqui em Portugal que, depois, me fez avançar com o meu projeto pessoal na Guiné.


Foi, então, a tua primeira vez na Guiné-Bissau, quando fizeste parte desse projeto?

Não. A primeira vez que estive na Guiné-Bissau foi em 2013. Eu trabalhava na altura em Portugal, quando o POSSO surgiu em 2011, e depois fundámos mesmo a associação em 2012. Eu trabalhava na Diáspora, aqui em Portugal, com a comunidade guineense nos bairros. Em 2013, surgiu a oportunidade de participar num projeto que se chamava This Time for Guine, que foi criado pela Associação Omnis Factum, sediada no Montijo. Concorri para ser uma das voluntárias e face a toda a minha experiência e o trabalho que tinha feito aqui em Portugal com a Diáspora, acabei por ser selecionada e fui para a Guiné-Bissau, durante uns quantos meses como voluntária. Durante o tempo que lá estive, trabalhei em diferentes projetos: dar aulas de português, de teatro, de francês. Esta foi a minha primeira experiência no país.


Foi esta tua experiência na Guiné-Bissau que fez com que em 2017, iniciasses um dos projetos mais ambiciosos da tua vida – A construção de uma Escola Comunitária na Guiné?

Foi. A Guiné-Bissau é um país muito pobre, com muita instabilidade política, onde as crianças e os adultos não têm acesso à educação. Existem muitos problemas. De facto, é uma realidade muito diferente daquela que vivemos em Portugal. Quando eu cheguei à Guiné foi um choque, no início, mas depois houve ali uma partilha. Aquilo que me fez gostar muito da Guiné e querer ajudar, foi o facto das pessoas viverem em comunidade, o que hoje em dia na nossa sociedade já não se sente com tanta frequência. Foi uma experiência muito gratificante. Aprendi a dar mais valor às coisas, que para mim seriam facilmente adquiridas, no sítio onde eu vivia. O que mais me inspirou a ajudá-los, ao longo de todos estes anos até hoje, sem dúvida alguma, foi a vontade que eles têm em melhorar, em aprender, em querer mudar a sua própria realidade. No fundo, este empowerment que eu acreditava que eles tinham.


Foi a tua segunda vez na Guiné?

Sim, decidi voltar à Guiné-Bissau. Entretanto, um jovem chamado Mamadu que eu ajudei em 2013 a criar uma estrutura para a sua associação, que na altura era uma associação com um nome comprido, que eu já nem me recordo para ser sincera, mas que depois se transformou. Nesse seguimento, foi criada a associação protege, que nasceu deste trabalho que já existia na comunidade, por parte de alguns jovens, inclusive o Mamadu, onde aquilo que eles faziam era proteger as crianças do Bairro Militar, um dos bairros mais perigosos da Guiné-Bissau. Naquela altura, em 2013, o Mamadu trabalhava com a polícia, era uma espécie de agente comunitário que protegia as crianças, por exemplo: de violações ou de casamentos precoces com parceiros mais velhos. Enquanto lá estive, assisti a tudo e ajudei naquilo que pude. O Mamadu era um miúdo, nessa altura, mas com muita vontade de fazer algo pela comunidade. Mais tarde, regressei a Portugal, e durante cerca de 8 meses ligava para a Guiné para falar com o Mamadu. Depois acabámos por perder o contacto. Contudo, em 2015, surge uma coisa nova na Guiné: a Internet. Até que, um dia, recebo uma mensagem no Facebook, do Mamadu. E foi aí, que decidi regressar à Guiné para escrever a minha dissertação. Resumidamente, fiz um estudo de caso sobre os jovens do bairro militar. O meu objetivo era estudar a noção de empowerment, ou seja, se a população tinha ou não a noção do seu empowerment e se as atividades de Animação Socioeducativa poderiam promover isso. Entrevistei 136 jovens. Estive lá durante um mês a viver no bairro, juntamente com a comunidade e isso aproximou-me imenso deles. Foi nessa experiência entre 2015 e 2016, que o Mamadu me disse que as crianças naquela zona precisavam de uma escola. As poucas que existiam à volta eram privadas e não haviam vagas suficientes para todas as crianças, além do que os pais também não tinham condições para que os filhos pudessem estudar no ensino privado, que teria de ser pago. O sonho do Mamadu era, então, construir uma escola.


Como é que foi feito todo esse processo?

A primeira coisa que eu pensei foi: para construir uma escola precisas de um terreno. O Mamadu vivia na casa do pai, mas tinha ao lado um terreno que era do irmão e pediu-lhe se poderia usar o terreno para construir a escola. O irmão passou uma declaração em como doava o terreno para a construção da escola. E aí começou a aventura.


Tu acompanhaste esse projeto com visitas regulares à Guiné?

Fiz algumas visitas à Guiné, desde que comecei este projeto. A construção de uma escola não é fácil. O passo seguinte foi fazer um fundraising e fi-lo aqui em Portugal, porque na Guiné não havia essa possibilidade, as pessoas não iriam financiar a escola. Teve muito sucesso e nós conseguimos angariar bastante dinheiro. A partir daí, senti que tinha uma enorme responsabilidade nas mãos, porque aquele dinheiro era para construir uma escola. Queria ter a certeza que o dinheiro ia chegar ao sítio certo e que, realmente estaria a cumprir com a palavra que dei às pessoas que contribuíram. Por isso, nesse momento, aventurei-me, trabalhei bastante e usei quase todo o meu dinheiro para ir à Guiné de forma a controlar todo o processo.


Mais do que um projeto era uma missão.

Exatamente. Na altura, quando fiz esse fundraising, chamava-se Missão Protege, foi assim que publiquei nas redes sociais para que as pessoas tomassem conhecimento do projeto. Hoje, essa página do Facebook converteu-se na página Escola Comunitária Irina Boteta, porque deixou de fazer sentido, visto que a missão protege resultou, felizmente, na construção da Escola. Não foi criada nenhuma associação, não lhe foi chamado um projeto, era simplesmente uma missão.


Aquilo que vivenciaste na Guiné-Bissau teve um grande impacto na tua vida.

O maior impacto que teve foi conhecer pessoas com uma vontade enorme de mudar a sua realidade. Por exemplo, em Portugal, eu vivia rodeada de pessoas, inclusive eu, ingratas, porque temos tudo e não damos valor, sentimos sempre que há um vazio e tentamos preenchê-lo com coisas. Aquelas pessoas viviam o momento, viviam cada segundo da sua vida como se fosse o último e tentavam sempre ser melhores. Isso inspirou-me, também, para a minha própria vida, deixar de me queixar e simplesmente mudar aquilo que eu achava que não estava certo. Foi isso que depois me levou a trabalhar nas Mentes Empreendedoras e noutros projetos, onde o objetivo era facilitar este processo em cada pessoa para que se apercebesse que está dentro delas o poder de mudar a sua vida e o que as rodeia.


No fundo, foi isto que aprendeste na Guiné, o poder de transformar a vida.

Eles mostraram-me que conseguiam dar a volta a qualquer coisa. Quando fazia voluntariado, na altura em que vivia lá, não havia sistema de lixo, a população queimava-o. Então, nós voluntários que estávamos lá de passagem, não sabíamos onde colocar o lixo e houve uns vizinhos que se disponibilizaram e queimavam o lixo por nós. Depois acabei por ver, várias vezes, que as crianças vasculhavam o nosso lixo e retiravam imensas coisas que nós deitávamos fora, como por exemplo: as latas de atum, frascos, sacos e garrafas de plástico que reaproveitavam, mais tarde, ou para fazer produtos para vender no mercado ou para brincar.


A Escola Comunitária é depois inaugurada no dia 13 de junho de 2017, data do teu aniversário e tem o teu nome: Irina Boteta.

Na altura eu não queria muito que tivesse o meu nome e foi uma grande batalha. A ideia era que fosse a Escola Comunitária do Bairro Militar, porque não existia nenhuma escola comunitária e esta palavra tem muita força, uma vez que pertence à comunidade. Contudo, eles insistiram que tinha que ter o meu nome e acabei por ceder.


Como é que encaraste este gesto da comunidade para contigo?

Bom, primeiro eu já sabia que a escola ao ter o meu nome acarretava uma grande responsabilidade, então o primeiro impacto foi: agora isto fica na minha vida.


Ou seja, não é um projeto como os outros, com início e fim, mas sim um projeto que é para sempre.

Esse foi o primeiro impacto, depois como é óbvio senti-me muito lisonjeada. Fiquei feliz pela escolha. Compreendi porque é que colocaram o meu nome, uma vez que sentiram que sem mim não teria sido possível. Fiquei contente por mim também, por ter avançado com este projeto, apesar de todas as dores de cabeça, como qualquer outro projeto que é num país tão longe. Mas no final das contas, fez-me sentir que valeu a pena, porque todos nós ficámos felizes. A escola ter o meu nome, também é uma forma de gratidão por aquilo que fiz. Mas sempre lhes disse que a escola é nossa, é de todos. Mas como ficou com o meu nome, senti uma certa responsabilidade, aquela escola tinha de ter sucesso.


Ainda no seguimento desta missão, iniciaste um novo projeto na Guiné-Bissau: o apadrinhamento destas crianças.

Isso foi já muito mais tarde. Basicamente, a escola foi inaugurada em 2017, começou o ano letivo em setembro e no início com a ajuda de algumas pessoas com alguns financiamentos locais que o Mamadu conseguiu, a escola funcionou sem problemas. O que acontece é que, atualmente, com esta vinda do coronavírus e com toda esta situação de instabilidade política que a Guiné está a atravessar neste momento, a escola ficou sem fundos para poder continuar a funcionar. Como é uma escola comunitária, uma parte é financiada pelos pais, sendo que os pais contribuem com o pouco que têm. No entanto, existem, neste momento, das 73 crianças que estão agora a usufruir da escola, que são menos do que já foram no passado devido a esta situação pandémica, metade delas os pais não têm possibilidade de pagar as suas despesas. Neste sentido, fizemos um orçamento, percebemos quais eram os custos associados, no total eram 155 euros por ano, por cada criança. Desta forma, concluímos que não seria muito por ano e pensámos que qualquer pessoa que se quisesse envolver no projeto e ajudar, poderia fazê-lo. Avançámos com a ideia e teve imenso sucesso, tanto que, ainda hoje, tenho imensas pessoas que me abordam a perguntar se há crianças para apadrinhar, mas já não há. Em menos de uma semana apadrinhámos todas as crianças. As pessoas envolveram-se bastante e foi muito bonito.


Mas se por um lado há pessoas que querem ajudar, por outro não sei se já te colocaram muitas vezes esta questão: o porquê de ajudares lá fora quando cá dentro também é precisa essa ajuda.

Já me vieram abordar de várias formas, na verdade. Já me disseram que era errado aquilo que eu estava a fazer na Guiné-Bissau, porque é racismo de certa forma e contribui para isso, porque aparece “uma branca com os pretinhos todos”. Também, já me disseram que lhes estou a dar o peixe, mas que não os estou a ensinar a pescar. Em primeiro lugar, aquilo que eu estou a fazer na Guiné, já fiz em Portugal e até noutros países, só que de forma diferente. Aqui em Portugal, a necessidade não é a de construir escolas primárias, porque nós temos um sistema que funciona.


Ao longo de todo este processo, qual foi a maior recompensa?

A maior recompensa é saber que aquelas crianças têm, agora, oportunidade de ter acesso à educação, que era uma coisa que não tinham antes e essa é, sem dúvida, a maior recompensa. É saber que na realidade, todo o esforço valeu a pena. Sinto que isso já mudou um bocadinho aquela comunidade e já muda um bocadinho, também, quem sabe, o país.


Saber que cumpriste o objetivo. O dever de missão cumprida.

Sim. A felicidade que todas as pessoas envolvidas tiveram. Todas as pessoas que estão envolvidas acabaram por retirar aprendizagens. Repara, as crianças aprendem a ler e a escrever, os educadores têm tido intercâmbios. Entretanto, já foram muitos voluntários da missão protege até à Guiné-Bissau. Com os apadrinhamentos e até mesmo quando as pessoas financiaram a construção da escola tiveram a oportunidade de conhecer uma realidade diferente da sua e isso também nos ajuda a crescer e a valorizar aquilo que nós temos. Portanto, acabou por ser uma transformação. Se pudermos abrir os nossos horizontes, a nossa perspetiva de vida e do mundo é incrível. Esse é o maior significado de toda esta ação. Eu, também, cresci muito. Desde ir sozinha para Guiné-Bissau, tentar encarar os meus medos e habituar-me a criar esta coragem, lidar com o stress, com a responsabilidade, com as alegrias e com tudo o que faz parte da vida, o que me tornou muito mais forte e mais sábia.


A tua vida passa muito por ajudar os outros. É esse o teu trabalho.

Sim, faço disso o meu trabalho. Apesar de ao longo destes anos, ter trabalhado em diferentes áreas, agora estou cada vez mais dedicada à área da formação e do desenvolvimento pessoal. Eu comecei a trabalhar com crianças, depois jovens, depois formei adultos e trabalhei, também, no desenvolvimento pessoal e de equipas. Neste momento, estou a abrir caminho numa área diferente – da cura interior, do bem-estar interno de cada pessoa. Todo este meu percurso, apesar de ter tido diferentes temas, sempre esteve muito ligado a ajudar os outros. Eu sinto que faz parte de quem eu sou.


De toda a tua experiência na Guiné-Bissau e também aqui em Portugal, qual foi a maior diferença que vivenciaste entre estes dois países e que muitos de nós (portugueses) não temos noção?

A maior diferença é o acesso à saúde. São várias, mas aquela que mais teve impacto em mim e que teria impacto em toda a gente é: como lidar com o Sistema Nacional de Saúde? Sempre que eu ia ao hospital em Portugal, às urgências, em alguma situação que fosse necessário, eu saía de lá completamente esgotada. Achava que era impossível uma pessoa esperar às vezes 6, 8, 12 horas para ser atendida. Na minha visão, as condições eram péssimas: o facto de as pessoas estarem ali no corredor, nas macas. Mas depois de ter vindo da Guiné-Bissau, lembro-me, perfeitamente, da primeira vez que fui ao hospital. As pessoas estavam todas loucas e eu estava tão calma e ao mesmo tempo tão grata por ter aquelas condições. Penso que essa foi a minha maior aprendizagem, é teres um ente querido ou tu estares bastante doente, a precisar de assistência e não haver. Eu tive muito doente com a malária na Guiné e quando cheguei ao hospital foi uma loucura. Entretanto, perdi os sentidos, quando acordei não tinha condições nenhumas. Quando cheguei ao hospital, não tinham nada para me tratar, absolutamente nada. Tivemos que ir a uma farmácia particular, uma espécie de loja, e comprar todos os materiais, desde as seringas, às luvas para o médico, ao cateter, ao saco de soro, às tesouras.


Isso significa que quem não tem condições financeiras não tem de todo acesso à saúde.

Não tem de todo acesso à vida. Na Guiné-Bissau ter acesso à saúde é um luxo.


Esta experiência moldou o olhar que tens, hoje, sobre a vida.

Sem dúvida, principalmente a forma como nós utilizamos os recursos. Na Guiné-Bissau, eles bebem uma água que sai do poço, escura. Eu e uma colega minha, na altura, metíamos lixívia para poder tomar banho e ela acabou por ficar doente com febre tifoide. Só para perceberes, que há toda uma diferença, uma falta de recursos, que nós aqui não temos noção. Eles têm muitos recursos naturais, contudo não são trabalhados e não estão à disposição da comunidade. Nós aqui temos tudo. Claro, depende das famílias e das pessoas, porque também existem muitas dificuldades em Portugal. Contudo, a maior parte da população tem acesso às condições mínimas e, na maioria das vezes, desperdiça os recursos. Na Guiné-Bissau, tomava banho com um balde de água com cerca de 5 litros e bastava.


Houve uma transformação na tua vida, passaste a vivê-la de uma forma diferente.

Vivo de uma forma mais consciente, que permanece em mim até aos dias de hoje. Em todos os aspetos: a tomar banho poupo água, tento não desperdiçar comida, porque eu vi que isso era uma necessidade lá fora, mas aqui em Portugal, também. Estas pequenas atitudes, da nossa vida: respeitar os recursos do Planeta Terra, ajudar o próximo e pensar sempre que um dia podemos ser nós a estar naquela situação.



- por Beatriz Pereira - 8 de Fevereiro 2021 em Sociedade

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